Paciência é uma virtude cultivada por poucos. Os que a compreendem conseguem dar um novo sentido à existência. A velocidade com que os acontecimentos se sucedem na vida dá-nos um sentimento de urgência muito forte. A pressa, a impaciência e o inconformismo são doenças que drenam as energias de nosso corpo e esgotam nossas emoções.
Há um motivo e uma necessidade para o tempo. A cadência dos segundos, minutos e horas, a eterna alternância entre dia e noite, a repetição das estações climáticas traduzem uma verdade difícil de compreender - as coisas acontecem quando devem acontecer. Por maior que seja o descontentamento e a irritação com a latência dos eventos, eles assim o são porque devem ser. A indisciplina impede a visualização dos significados do tempo; a intransigência faz-nos remar contra a corrente.
Existe um período para tudo: para o movimento, para a agitação, para a transformação, para a lentificação e até para a inércia. Há momentos de atividade e repouso, de saúde e convalescência, de falar e de ouvir, de criar e de observar, de desejar e de aguardar. Não é à toa que na presença da atividade excessiva, o corpo pede repouso; à companhia da ansiedade seguem-se eventos aparentemente contrários; no momento do sofrimento, interno ou externo, abrimo-nos à redescorberta de nós mesmo.
Se a sucessão de eventos significa que as engrenagens da vida estão funcionando, sábio é acompanhá-las. Saber ser paciente é buscar o entendimento da vida - da nossa e daquela que nos rodeia. Observar as consequências de nossos atos e nossas escolhas dá-nos grande crescimento: podemos vivificar nossos sucessos e antever nossos erros, prolongando as coisas boas e diminuindo os sofrimentos.